Cultura, contracultura e síntese

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EDITE GALOTE CARRANZA

Muito bem, trata-se de mais um choque entre cultura e contracultura, ou seja, entre duas visões distintas do mesmo mundo.

De um lado, a decisão legal, justa e precisa dos técnicos-especialistas, que cria um recuo lateral de 1.80m, para que o proprietário do terreno vizinho possa construir suas torres.

Contudo, lamento que o Teatro Oficina Uzina Uzona  esteja no epicentro dessa nova polêmica.

Lamento,  como lamento, por cada azulejo português, retirado dos casarões tombados de São Luiz, trocado por um prato de comida.

Lamento, como lamento, pelo silêncio da Casinha de Artigas, esperando ter o mesmo tratamento da casa La Roche parisiense e seus protetores de calçados.

Lamento, como lamento, em ver nossa cidade-palimpsesto, construída e reconstruída sobre si mesma a caminho da “Quarta cidade em um século e meio” .

Na discussão em questão, falta uma visão de mundo alternativa, como a de Flávio Império que, contrariando o senso comum dos anos 1980, redigiu parecer favorável  que garantiu tanto a permanência do patrimônio imaterial quanto a demolição de seu próprio projeto com Rodrigo Lefèvre; ou a de Lina Bo, que preferiu manter a fábrica de tambores para realizar o Sesc-Pompéia.  Estes arquitetos, juntamente com Joaquim Guedes, autor do primeiro Teatro Oficina, não estão mais aqui para opinar.

Em síntese, será que a cidade não mereceria ter o quarto Teatro Oficina, projeto de Lina Bo que incluía o terreno vizinho, ou merecerá ter mais um muro  com cerca elétrica, uma árvore mutilada e uma janela sem luz?

SP 26/09/13

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