Sóis: livro de Ricardo Carranza com desenhos de João Rogério Vicari

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RICARDO CARRANZA

JOÃO ROGÉRIO VICARI

Oi Vicari!

Gostaria de compartilhar com você nossas impressões conduzidas pela sua Arte em um exemplar físico do meu Sóis.

Como leitor de Poesia, você foi tocado por “sensações e imagens” e como artista visual – se é correta a nossa definição, debruçou-se – naturalmente, sobre a tarefa não de ilustrar ou de simplesmente criar uma ambiência ao conjunto de poemas, mas de não apenas interpretar e sim em se constituir em um contraponto visual expressivo diante de uma linguagem fundada prioritariamente numa dimensão temporal, razão pela qual, sem me estender aqui sobre o tema da Poesia Concreta,

consideramos que a Poesia, nos limites da versura (Agambem), só é Poesia se lida – por excelência, em Voz Alta; distinguimos então, a comunicação visual de uma ideia – esse expediente da dita Poesia Concreta que, nesses termos apreciamos, da Poesia enquanto linguagem que se estrutura no tempo e carregada de emoção.

Com essas breves considerações já é possível vislumbrar o desafio que você empreendeu no exercício de vossa liberdade como Artista Visual – se concorda, repito, com nossa definição. Além disso, é considerável o esforço no sentido de “acomodar” uma solução plástica em um campo pré-definido e que se apresenta descontínuo como área e forma do princípio ao fim, e contando com canetas de ponta porosa e uma única cor, salvo um leve emaranhado articulados em alguns desenhos, estes na cor preta ou cinza claro.

Uma dificuldade a ser considerada em destaque, dada a sua complexidade, é a questão da emoção, isto é, como interpretar a lente distorcida da emoção presente na Poesia em geral, conforme a definimos aqui, e no meu Sóis, em particular, através de linhas, traços, texturas e uma única cor? O nosso amigo Vicari manteve, talvez intuitivamente, como acontece amiúde durante o processo criativo, posso dizer que sou testemunha disso, a relação exagerando, como um traço de entusiasmo, e desproporcionalizando a figura humana e animais e coisas até mesmo à incompreensão; cabe aqui um parêntese: folheamos o livro com atenção e nem sempre conseguimos decodificar alguns desenhos ou detalhes de um desenho, o que é mais uma qualidade de vosso trabalho, porque uma emoção, como sabemos, nunca é 100% traduzida pela razão. E aqui chegamos a um outro ponto crucial de toda Arte.

Como representar ou traduzir uma metáfora verbal em imagem considerando um certo nível de equilíbrio, esta palavra que pode contemplar o conceito de Harmonia? Mais uma vez, imaginamos que você atuou coroado pela intuição. Adotou um material, as canetas de ponta porosa, extensivamente a cor vermelha, dramática por excelência, um traço a nosso ver nervoso, espontâneo e disciplinado ao mesmo tempo; e se podemos chamar esse conjunto de características como estilo, então o trabalho contempla a questão da Harmonia.

Por último, coloco em evidência algo inteiramente subjetivo. Desde a dedicatória de abertura até as últimas linhas do desenho de fecho da obra, senti um grau de segurança notável. Nenhuma hesitação, correção ou um único desvio de arrependimento, com um pulso constante mergulhado na emoção – só posso aqui me expressar em termos contraditórios, mas sempre a mesma fluência, espontaneidade e expressão.

O que mais posso dizer?

Obrigado, Vicari, meu caro, por ter me provocado a esta gratificante interlocução.

Abraço Amigo

 

 

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João Rogério Vicari

Arquiteto e urbanista da FAUUSP, 1983 e mestre pela mesma instituição, em 1998. Desde 1990, Vicari é docente em cursos superiores: na Universidade São Judas Tadeu, Universidade Presbiteriana Mackenzie, Faculdades Senac, Instituto Europeo di Design, Anhembi Morumbi, entre outras. Na FMU, desde 2021, ele permanece em atividade na pós-graduação em design de interiores. A expressão gráfica, desde longo tempo, seja através do desenho, das artes gráficas, ou da pintura, é sua marca. Participa de exposições de artes esporádicas, desde 1990, tendo exposto no Bunkyo, Casa de Portugal, MAM, entre outras instituições.

  

Poeta e editor Responsável:

    Ricardo Carranza
    Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, 2000, diretor do escritório de arquitetura e editora G&C Arquitectônica Ltda, editor da revista 5% Arquitetura + Arte e escritor. Publicações: Antologias de Concursos Nacionais – SCORTECCI, SESC DF; revista de literatura – CULT; sites de Poesia e Literatura – Zunái, Stéphanos, Germina, Cult - Ofi-cina Literária, Mallarmargens, O arquivo de Renato Suttana, Triplov. LIVROS: Poesia – publicados: Sexteto, Edição do Autor, SP, 2010; A Flor Empírica, Edição do autor, SP, 2011; Dramas, Editora G&C Arquitectônica Ltda., SP, 2012. Inéditos – Pastiche, 2017/2018; poesia... 2019. Contos – inéditos: A comédia dos erros, 2011/2018 – pré-selecionado no Prêmio Sesc de Literatura 2018; Anacronismos, 2015/2018; 7 Peças Cáusticas, 2018. Romance inédito: Craquelê, 2018/2019. Cadernos de Insônia (58): desde 2009. ARTIGOS publicados na revista 5% Arquitetura+Arte desde 2005.

     Como citar:                                                   

    VICARI, João Rogério; CARRANZA, Ricardo. Sóis: o livro de Ricardo Carranza com desenhos de João Rogério Vicari. 5% Arquitetura + Arte, São Paulo, v.01, n.25, e215, p. 1-40, jun./dez, 2023. Disponível em: http://revista5.arquitetonica.com/index.php/poesia/sois-o-livro-da-insonia-2

     

    Observação: O exemplar com desenhos não está à venda. 

     

    Para aquisição de exemplares originais:   

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    Preço: R$ 35,00 + Correio Impresso Módico

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